Expedição Patagônia

Uma moto expedição pela Patagônia e Terra do Fogo, até o Fin del Mundo.

Roteiro (14.589,4kms):


Mapa:


Blog: 

Día 31: Taubaté - Rio de Janeiro

postado em 27 de jan de 2015 02:24 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 04:59 atualizado‎(s)‎ ]

A parada na cidade natal de Monteiro Lobato foi estratégica, pois em Taubaté começa a SP-125 que me levará a Ubatuba. Isso se a Polícia devolver meus documentos:

(SP-125 - São Paulo - Brasil)

Nosso amigo policial estava todo animado: verificou selo do inmetro no capacete, placa, bateu algarismo por algarismo conferindo o chassi da moto com o documento, levando-os para o carro onde checaria se havia alguma irregularidade. Enquanto eu aguardava pacientemente o trabalho policial, passaram VARIAS nakeds e esportivas com escapamento aberto e todos paramentados para sua corrida de sábado. Enquanto o viajante tomava uma dura, os pilotos de final de semana estavam liberados para cometer suas infrações em outros pontos do "autódromo" público, chamado vulgarmente de rodovia. A vida é assim, temos ainda que agradecer por pelo menos estarem fazendo esse trabalho. Se fiscalizassem corretamente a todos, o roubo de moto e quem sabe os acidentes diminuiria bastante...

Enfim na serrinha pra Ubatuba, diversão dos ciclistas:

(SP-125 - Ubatuba - São Paulo - Brasil)

Curvas fechadíssimas em declíve acentuado, velocidade máxima de 30km/s em primeira marcha! Sinistra a descida.

Depois de remar no trânsito de final de semana do litoral norte paulista, enfim voltei pra casa:

(BR-101 - Divisa SP | RJ - Brasil)

Em minutos estava na Serra D´água, que liga Angra dos Reis a cidade de Rio Claro:

(RJ-155 - Rio de Janeiro - Brasil)

Fácil perceber o porquê do nome, o Parque Estadual Cunhambebe é um ímã de nuvens de chuva:

(RJ-155 - Rio de Janeiro - Brasil)

O perigo mora nos túneis das antigas, em paralelepípedo, onde a água + pedra esperam suas vítimas:

(RJ-155 - Rio de Janeiro - Brasil)

Colocamos mais essa serra na conta e chegamos em Rio Claro, onde voltamos a descer em direção a BR-101 pela Serra do Piloto. 

Essa tem algo especial, foi aberta pelos escravos para ligar a cidade de Mangaratiba a Estrada Real. Ponte da Era do Império sobre a cachoeira onde a Princesa Isabel parava pra se banhar (diz a lenda). Pavimento original preservado:

(RJ-149 - Mangaratiba - Rio de Janeiro - Brasil)

Mirante Imperial, vista pra Mangaratiba:

(RJ-149 - Mangaratiba - Rio de Janeiro - Brasil)

Contabilizando: Serra Gaúcha, Serra do Rio do Rastro, Estrada da Graciosa, Rastro da Serpente, Serra do Mar, Serra D'água e a Serra do Piloto. Tá bom demais, deu pra abaular o pneu que a ruta 3 deixou quadrado!

Hora de ir pra casa, essa grande favela chamada Rio de Janeiro:

(Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil)

Churrascão do Badá + Brasil Custom, depois cerveja no Kranio MC, rua Ceará. PVT. Obrigado a todos os amigos pela recepção! Obrigado a todos que acompanharam e torceram!

Cheguei em casa no domingo, fechando com 14.589,4 kms mais essa viagem de moto:

(Moto Expedição Patagônia - Garagem MCMC - RoadGarage - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil)

O mapa teve o roteiro atualizado.

Vamos de novo? 

Día 30: Morretes - Taubaté

postado em 24 de jan de 2015 05:10 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:02 atualizado‎(s)‎ ]

Além do Barreado, famoso prato típico, a cidade de Morretes nos presenteia com a visão do Marumbi praticamente de qualquer lugar:

(O Marumbí - Morretes - Paraná - Brasil)

Montanha imponente que um dia terei o prazer de subir.

Cidade com muitos casarões antigos preservados, margeando o rio Nhundiaquara, dos índios Carijós:

(Rio Nhundiaquara - Morretes - Paraná - Brasil)

Perto de Antonina, cidadezinha que também preserva o tempo:

(Antonina - Paraná - Brasil)

Banhada pela baía de Paranaguá:

(Antonina - Paraná - Brasil)

Destino certo para quem vive na grande Curitiba. Hora de voltar, subir a graciosa:

(Antonina - Paraná - Brasil)

E fazer a serra que liga Curitiba a Apiaí em São Paulo. Batizada de Rastro da Serpente, muitas curvas em poucos kms, por entre coníferas verdejantes:

(BR-476 - Paraná - Brasil)

Curvas de todos os tipos, para todas as velocidades, em um asfalto perfeito. Lugar para gastar a pedaleira com vontade:

(BR-476 - Paraná - Brasil)

Trocaram a placa de lugar. Agora está no centro de visitantes. Já o patch consegue-se no posto BR no começo da cidade. Combo conquistado com sucesso:

(BR-476 - Apiaí - São Paulo - Brasil)

Pernada rápida pela SP-250 (continuação do Rastro da Serpente em péssimo estado de conservação), abastecendo em Sorocaba, onde verifico que o pneu traseiro alcançou a primeira marcação do TWI, sinalizando seu desgaste:

(Sorocaba - São Paulo - Brasil)

Por sorte a segunda marcação me levará até em casa, com cautela pois começou a chover. Velocidade reduzida e pela pista da direita, consigo parar na placa que estou a anos querendo bater uma foto:

(Castelo Branco - Sorocaba - São Paulo - Brasil)

Sempre passava voado pela pista da esquerda. rs

Pernada rápida por São Paulo a noite, fugindo do trânsito e das multas. Marginal + Dutra:

(Dutra - BR-116 - São Paulo - Brasil)

Pernoite em Taubaté. Amanhã tem mais serras!

Día 29: Serra do Rio do Rastro - Morretes

postado em 23 de jan de 2015 07:40 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Como prometido acordei as 5h da matina, e quando estava carregando a moto, o senhor me chama para tomar café. Ontem sua senhora insistiu para que colocasse a moto para dentro, mesmo sendo um lugar seguro e não ter ocorrências policiais. É de praxe colocar as motos na área do refeitório, tem uma rampa de madeira e tudo:

(Hotel Verde Serra - Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

O senhor e a senhora estão acostumados a receber motociclistas, e quando o grupo é grande, arrastam as mesas e até armam uma mini churrasqueira para os mal-acabados fazerem churrasco. São pessoas bem simples com imensa bondade. No hotel não há luxo algum, foi feito por um dos filhos que trabalha com construção, afim de gerar renda com as diárias para os pais. Comi meu pão com manteiga, tomei meu café com leite e pé na estrada.

Comecei a subir a serra com o dia amanhecendo, e as luzes ainda acesas revelavam o caminho tortuoso:

(Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Eu achei que não teria tráfego, e a serra seria só da Ruanita. Ledo engano:

(Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Via estreita sem distância mínima lateral. Hora do aperto:

(Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Completei a subida e cheguei no mirante com o sol raiando:

(Mirante da Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Tá cedo ainda, então bora descer e fazer novamente. Agora sem caminhões, voltei a subir. Nuvens:

(Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Agora sim uma subida completa. Patch conquistado com sucesso:

(SC-390 - Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Em tempo, pois em instantes engarrafou de novo:

(Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina - Brasil)

Show de bola! Só ficaremos devendo a do Corvo Branco:

(SC-416 - Santa Catarina - Brasil)

Engraçado o prazo é de 12 meses. E quando começa? Me lembrou a minha carta verde, válida por 30 dias e sem data de início. Brasileiros...

Começamos a descer a BR-282 em direção a Floripa debaixo de muita chuva que persistiu pelo restante do caminho, cedendo um pouco na divisa:

(BR-101 - Divisa SC | PR - Brasil)

Em Curitiba, uma tempestade de alagar o asfalto:

(BR-116 - Curitiba - Paraná - Brasil)

12 vezes na cidade, 11 vezes choveu. Curitiba cidade da chuva!

Ia ficar por aqui, mas como já estava todo molhado, olhei o horizonte e resolvi arriscar. Será que estava chovendo na serra da graciosa? Não:

(Portal da Graciosa - Serra da Graciosa - Paraná - Brasil)

Fazer a Serra da Graciosa e a Serra do Rio do Rastro no mesmo dia é luxo total! E por aqui nada de chuva:

(PR-410 - Serra da Graciosa - Paraná - Brasil)

Ainda bem pois essas curvas em declive com paralelepípedo molhado são altamente deslizantes. E depois de muitos kms, a fome estava de matar. Coloquei o barreado de Morretes pra resolver o problema:

(Barreado - Morretes - Paraná - Brasil)

Amanhã é o dia da minha serra preferida: Rastro da Serpente!

Día 28: Gramado - Serra do Rio do Rastro

postado em 21 de jan de 2015 15:46 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Em pleno natal luz, Gramado estava bombando. Para dupla de Harleiros viajantes, só interessava o museu Harley Motor Show:


O museu/bar temático fica no subsolo do museu de cera, onde passamos a manhã inteira trocando uma ideia e tomando chopp local Rasen Bier:


E por incrível que pareça viramos parte da atração. Os turistas batiam fotos das nossas motos e esperavam um momento oportuno para tirar uma foto nossa. Algumas ficavam envergonhadas e saiam de perto. rs Motoqueiros num bar de motoqueiros, deve ser isso que eles devem pensar. Vai saber... 

Um bar bacana, onde vc escolhe uma mesa aos pés de uma Shovelhead (década de 70):


Ou ao lado de uma Panhead militar (década de 50):


Ótimo som ambiente, bem decorado e uma coleção de motos de causar inveja. Knucklehead (década de 40):


Além das Harleys, uma Indian:


Show de bola! Por mim passava o dia aqui, mas temos que pegar estrada. Valeu para brindarmos a ótima viagem que fizemos e finalizarmos nossa parceria. El Negro segue a Rota do Sol e vai direto pra casa e El Colorado vai para Rota Campos de cima da Serra, curtir um pouco mais das serras do sul. A dupla se separa:


Agora estamos sós. Mas não tanto assim:


kkkk

Peguei uma estradinha de terra para o Parque Nacional Aparados da Serra, e depois de tocar gado, e percorrer uns 15kms por uma estrada 10 vezes pior que o rípio Argentino (como vocês podem ver no vídeo acima), peguei uma trilha rápida para o canion Itaimbézinho. Vértice:


Lugar único:


E curioso. A parte de cima é Rio Grande do sul, e a parte de baixo já é Santa Catarina. A divisa dos estados é o paredão de rocha!

Ruanita voltando do parque e se despedindo da Rota dos Campos de cima da Serra. Araucárias, pedras esbranquiçadas, pinheiros, campos verdes e nuvens cinzas. Rio Grande do Sul:


Descendo a Serra Gaucha:


Pernada rápida até a divisa RS | SC, já na BR-101:


Porque ainda não acabou, decidi fazer mais uma serra, e no final do dia cheguei na base dela:


A famosa Serra do Rio do Rastro. Comecei a subida já a noite, me hospedando no hotel que fica no meio da serra. Da janela do meu quarto, observava os caminhões passando pela escuridão:

(Hotel Verde Serra - Serra do Rio do Rastro - Lauro Muller - Santa Catarina)

A intenção é acordar cedo e a Ruanita ter a serra só pra ela!

Tarada!

Día 27: Jaguarão - Gramado

postado em 19 de jan de 2015 11:43 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Terra Brasilis!

Ficamos na pousada XV de Novembro, do conhecido Renato, contador de histórias. Recomendamos! Principalmente o café da manhã, bem farto (pátria mãe gentil) em comparação a medialuna + café dos vizinhos.

Cidade de Jaguarão recebe um fluxo de pessoas interessadas no Duty Free que fica do lado Uruguaio, com produtos a preços convidativos. Já do nosso lado, posto cheio, veículos Uruguaios abastecendo, claro a gasolina aqui custa 3,20 enquanto no Uruguai quase 5 reais. No final das contas, trocamos gasolina por produtos importados. (Será?)

Aqui termina a extensa BR-116, então vamos retornar a faze-la, agora de trás pra frente:

(BR 116 - Jaguarão - Rio Grande do Sul - Brasil)

Ao sair da cidade, começa uma chuva média e constante, que nos obriga a colocar a capa de chuva a dias esquecida na bagagem. Tempo nublado, viseira molhada, pouca visibilidade, de repente algo se agita no meio da rodovia, já fiz sinal para El Negro diminuir. Chegamos mais próximo era um Gaúcho-Chê agitando suas bandeiras eco-sustentáveis recicladas de cabo de vassoura + saco de milho. Não era um assalto ou "arrastão" graças a Deus, não estamos no Rio de Janeiro e sim no Rio Grande do Sul, o senhor de bombacha que parou o trânsito numa rodovia federal só queria atravessar o seu gado de um lado ao outro da BR:

(BR-116 - Rio Grande do Sul - Brasil)

Tranquilamente esperamos a boiada, depois foi só passar por cima de todo aquele barro e bosta de vaca rabeando os Harlões e saindo de traseira, no asfalto molhado fica melhor ainda rsrs

É cada história! Se contasse tudo iria faltar blog

O mais curioso é voltar pro Brasil e só encontrar bandeiras do Rio Grande do sul, uma maior que a outra. Enfim... Continuamos rumo a capital do País, digo, do estado do RS. Cruzando o Rio Guaíba, Porto Alegre:

(Ponte sobre o rio Guaíba - Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil)

(O ponto preto não é um ovni, e sim um inseto na lente da câmera, dentre muitos outros que colecionamos por ai)

A BR-116 segue pra região da serra gaúcha e vira uma estrada espetacular, com muitas curvas e asfalto perfeito por entre árvores:

(BR-116 - Serra Gaúcha - Rio Grande do Sul - Brasil)

Um convite para acelerar e... Ser parado pela Polícia Rodoviária Federal. Sim meus amigos, pela primeira vez fui parado pela PRF. E eu achava que era lenda, mas sim, eles existem e as vezes até trabalham! Só pararam o cara errado, de Harley com seca sovaco, toda imunda e cheia de insetos, eu mais sujo ainda, molhado, com uma mochila pedindo arrego e a barraca de camping em estado de calamidade pública. Ficou com pena e liberou! Pelo visto as coisas aqui funcionam, deu até aquele orgulho de ser gaúcho, quase pendurei minha bandeirinha do RS na bagagem também rs

Intimidade é uma merda, a gente brinca com os compatriotas do sul mas é porque o Rio de Janeiro está lotado deles, praticamente uma invasão. É um mais gente boa que o outro. E quando estamos aqui, somos recebidos muito bem! Paramos no posto para abastecer e foi espantoso a quantidade de pessoas que vieram falar conosco. Sou fã do povo gaúcho. (Ver Viagem Ar/Ch quando um nos convidou a entrar na sua casa e comer do seu churrasco com a família)

Voltamos a rodar e fizemos questão de percorrer toda a serra até Caxias do Sul, cidade onde desviamos o percurso no começo da viagem:

(BR-116 - Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil)

Sendo assim, BR-116 rodada por completo no sul e sudeste!

Começamos a descer a Rota do Sol, desviando para Gramado, que estava enfeitada para o Natal Luz:

(Natal Luz - Gramado - Rio Grande do Sul - Brasil)

Depois de um dia cinza, longo e cansativo (sem perder o humor, sendo ele bom ou ruim) fomos recompensados com a primeira refeição digna de uma foto:

(Polar-chê - Gramado - Rio Grande do Sul - Brasil)

Por essa e outras coisas simples que o Brasil é e sempre será o melhor país da América do Sul!

Día 26: Buenos Aires - Jaguarão

postado em 16 de jan de 2015 05:45 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Acordamos as 5h30min da manhã, e mesmo sem desayuno carregamos as motos e voltamos a estação do Buquebus, que fica no final do Puerto Madero. Já tinha salvo o ponto no GPS e pude relaxar enquanto acordava lentamente.

Quando chegamos na Buquebus, despertamos de imediato. WTF?? Saca a fila:


Filas e mais filas para fazer o check-in, depois mais fila para a migração, depois mais fila para colocar as motos dentro da barca. Nos juntando aos coxas:


E põe coxa nisso! Pegamos a barca nova, Francisco, chão todo de carpete, onde é necessário usar protetor nos sapatos para poder entrar. Quanta frescura! El Negro tomando uma dura:


A cereja do bolo, os dois motoqueiros malvadões com suas pantufas:


Sinceramente, não sei porque pausamos uma viagem de moto para andar de barca, mesmo que economizando um dia. Acabamos gastando uma grana preta para sermos sacaneados em filas, usar pantufas numa barca fechada, onde não desfrutamos do prazer de andar de moto. Pra mim, nunca mais Buquebus! É o mesmo que andar de avião sendo que sua moto está ali embaixo te esperando para rodar! Se arrependimento matasse...

Enfim, atravessamos o Rio de la Plata e chegamos no porto do país vizinho, Uruguai:


Desembarcamos as motos praticamente no centro da cidade, praça Independência:

(Praça Independência - Montevideo - Uruguai)

Demos um tempo para xingar o Buquebus, enquanto revisitávamos os derredores da praça, como Teatro Solís, Presidência, Palácio Salvo e outros lugares que os dois já conheciam de viagens anteriores. (Mais aqui: Viagem Ur/Ar) Jogo rápido, fomos pra estrada.

Agora sim, o dia começou. Pegamos a Ruta 8 em direção ao Brasil:

(Ruta 8 - Lavalleja - Uruguai)

Só que não tão rápido. Para não perder o costume, mais uma pane seca no Uruguai:


Em 2011 tive pane seca com a Sportster depois de Montevideo, e agora repetindo a façanha com a FX. O lado bom é que dessa vez não estou sozinho, El Negro continuou acelerando ao próximo posto, que segundo o GPS está a 40kms. Precisava de 2 litros!

Pelas minhas contas, levaria 1 hora ali esperando debaixo da árvore (parada estratégica) então peguei o isolante térmico e forrei minha sombra particular. Senti que estava sendo observado:


Imagina a atração para as vacas, acostumadas a pastar calmamente onde a vida passa devagar, agora vizinhas de um motoqueiro barulhento que briga com o isolante térmico contra o vento rs

Aproveitei minha última lata de sardinha:


E depois de alimentado, uma pestana na sombra:


Melhor pane seca da minha vida. Dormi por 1 hora até El Negro voltar com a gasolina. Coitado do cara, eu fiquei sem gasolina e ele que se ferrou kkk

Ruanita também, bebendo mais gasolina "premium":


Calmai, dois litros para 40kms? Vai dar no "cheiro". E deu mesmo:


Mais uma vez, pane seca em frente ao posto de gasolina, onde entrei na "banguela". Assim como aconteceu no Acre (Viagem Py/Ar/Bo/Pe), aqui totalizou 19,2 litros de gasolina, ou seja, a capacidade máxima do tanque da softail!

Moto abastecida, percorremos os últimos kms do país hermano, fizemos os tramites fronteiriços em Rio Branco, e cruzamos a fonteira-ponte sobre o Rio Jaguarão:


Adeus Uruguai. Estamos no lado de cá do rio, ou seja, de volta ao Brasil!


Día 25: Bahía Blanca - Buenos Aires

postado em 15 de jan de 2015 04:54 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Todos os caminhos levam a Buenos Aires, coloquei o GPS para decidir qual o melhor e fomos pra estrada:

(51 - Buenos Aires - Argentina)

Visual já bem diferente, com descidas mais íngremes, árvores, curvas, lagos e montanhas. E a foto clássica:

(51 - Buenos Aires - Argentina)

Ao fazer a curva numa rotonda, na cidade de Saladillo, El Negro sente que furou o pneu. Paramos e confirmamos:

(Harley davidson com pneu furado em viagem de moto - Saladillo - Buenos Aires - Argentina)

Repetimos o mesmo procedimento que utilizamos na terra do fogo. Primeiro o Spray para encher o pneu:

(Spray reparador de pneus - Harley davidson com pneu furado em viagem de moto - Saladillo - Buenos Aires - Argentina)

Identificamos o furo de imediato, pois o líquido branco saia em abundância. Na verdade era um rasgo de 1 cm! "Toca rápido para o posto!" Achamos um com compressor de ar e colocamos nosso kit de borracheiro pra trabalhar:

(Kit borracheiro - Harley davidson com pneu furado em viagem de moto - Buenos Aires - Argentina)

Foi necessário uma macarronada para vedar o rasgo:

(Macarrão vedando furo de Harley davidson com pneu furado em viagem de moto - Buenos Aires - Argentina)

El Negro levou a sério a história de furar o pneu, deixou o furo coxinha do El Colorado no chinelo! Alias, como será que ele está depois de tantos kms rodados? Legal heim:

(Macarrão veda-furo depois de rodado - Harley davidson com pneu furado em viagem de moto - Buenos Aires - Argentina)

O macarrão inserido lá na Terra do Fogo praticamente se integrou ao pneu, show de bola.

Esse kit nos tirou duas vezes da roubada, foi indispensável para nossa viagem!

Continuamos viagem até chegar em Buenos Aires, onde El Negro e El Colorado se perderam um do outro em uma auto-pista de trânsito rápido e confuso. Rolou o famoso "me espera que eu te espero" seguido do mais famoso ainda "barata-voa". Como o destino era um só, encontrei o cara já comprando as passagens do Buquebus:

(Buquebus - Capital Federal Buenos Aires - Buenos Aires - Argentina)

Amanhã pela manhã iremos direto para Montevideo, navegando pelo Rio da Prata e economizando um dia de viagem. Por hoje, achamos um hotel próximo as barcas e aproveitamos o restante do dia para um rolé de moto pela Capital Federal da Argentina.

Teatro Colón, na 9 de Julio, e a mais nova lei mirabolante do governo, placa no capacete:

(Teatro Colón - Capital Federal Buenos Aires - Buenos Aires - Argentina)

Espero que essa moda não chegue aqui. Obelisco:

(Av. 9 de Julio - Capital Federal Buenos Aires - Buenos Aires - Argentina)

Rolezinho pirata pelo Puerto Madero:

(Puerto Madero - Capital Federal Buenos Aires - Buenos Aires - Argentina)

Bairro com vários restaurantes, decidimos por rodízio de carnes, na despedida do país Hermano, que sempre nos recebeu muito bem.

Pra fechar a noite, visita a Tia Cristina na Casa Rosada:

(Casa Rosada - Capital Federal Buenos Aires - Buenos Aires - Argentina)

O governo tenta estragar a festa, mas ainda é um dos lugares preferidos para andar de moto.

Amanhã Uruguai!

Día 24: Puerto Madryn - Bahía Blanca

postado em 14 de jan de 2015 05:54 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Hoje é o dia de deixarmos a Patagônia de vez, e ao sair da província de Chubut, fomos parados pelo exército que apoiava a polícia. Essas paradas nas divisas das províncias Argentinas são rotineiras, então já separamos os documentos para adiantar o processo, o que não deixa de ser trabalhoso:

(Ruta 3 - Divisa Chubut | Rio Negro - Argentina)

Abre a mochila, pega os documentos, análise de todos os detalhes, guarda os documentos e embala a mochila. Eu mantenho os documentos na mochila de tanque, dentro de um saco plástico, de fácil acesso, o que facilitaria o processo se a minha carta verde estivesse corretamente preenchida. Porém não estava, faltava a data de início e de término da vigência, uma informação importante do seguro:

(Dura da Gendarmeria Argentina - Problemas com a Carta Verde - Ruta 3 - Divisa Chubut | Rio Negro - Argentina)

O mais curioso foi passar por exatamente 6 fronteiras, 12 processos de migração e diversas outras "blitz" até o momento e ninguém ter percebido. O fato é que o maior interessado em ter o documento correto sou eu, e não percebi a falha, que foi devidamente contornada com o nosso "portuñol". Liberados em seguida.

Viagem de moto é feita de detalhes, e a maioria deles pode frustar os seus planos. Talvez quem acessa o site acha que é só acelerar as motos e tirar as fotos. Quem dera fosse!

Apesar de tudo, é muito prazeroso fazer uma viagem dessa. Acompanhado do nosso amigo e personagem, El Negro, e o rio que lhe deu o nome:

(Ruta 251 - Rio Negro - Argentina)

Saímos da ruta 3 que estava em obras e percorremos a ótima 251. Muitos consideram que a Patagônia acaba aqui, pois o cenário muda bastante, e a vegetação aumenta em tamanho: 

(Ruta 251 - Rio Negro - Argentina)

Oficialmente a Patagônia termina em outro importante rio, o Rio Colorado, que deu nome a outro personagem dessa viagem, El Colorado:

(Rio Colorado - Divisa Rio Negro | La Pampa - Argentina)

El Negro e El Colorado cruzaram seus respectivos rios e deixaram oficialmente a Patagônia. Foi sensacional rodar por aqui!

Pernada rápida até a cidade de Bahía Blanca, já na província de Buenos Aires, onde chegamos antes do pôr do sol:

(Bahía Blanca - Buenos Aires - Argentina)

Já estamos sem saco para acampar, tirar fotos e conhecer lugares. Chegamos no hotel e perguntamos para a recepcionista o que tinha de imperdível na cidade. Segundo ela, nada, pois é uma cidade de passagem.

Justamente isso. Duas cervejas e até amanhã.

Día 23: Comodoro Rivadavia - Puerto Madryn

postado em 12 de jan de 2015 10:29 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Pernoitamos em Comodoro Rivadavia, a capital Argentina do Petróleo. Chegamos a noite e saímos cedo, e nada temos a dizer além dos hotéis e comida inflacionados.

Enchemos o tanque e percebemos que pagamos um dos maiores preços na gasolina até agora. Em uma cidade que produz petróleo!? O frentista atribui ao fato do imposto da região ser bem alto, e na Terra do Fogo ser subsidiado... 

Bora pra estrada, tomar uma chuva de Libélulas:


Um enxame delas, nos acertavam de todos os lados. Algumas morriam na linha do freio, cabo do acelerador, no pedal de marcha e até na roda. O pior mesmo foi a viseira suja e a visão limitada:


Continuamos pela ruta 3 com tempo bom, dispensando a segunda-pele e roupas adicionais:


Acessamos a cidade de Trelew, afim de visitar o museu paleontológico da região. Ao parar as motos na rua, uma policial educada se aproximou, solicitando que parássemos as motos na calçada, em frente a entrada do museu, por questões de segurança:


Uma região com dinheiro, e pobreza. Ao lado do museu, uma área carente:


No primeiro plano da foto, uma árvore seca que poderia passar desapercebida. Trata-se de uma Araucária petrificada, do período Jurássico! Do tempo que a Patagônia era uma grande floresta de Araucárias habitada por grandes animais, com dentes afiados:


Carnívoro? Não, herbívoro. Pelo tamanho da vegetação da época, entende-se. Não só a vegetação, mas fauna e flora eram gigantes. Reclamávamos das pequenas libélulas que comemos hoje na estrada, até descobrir que a pré-histórica tinha 1 metro de comprimento:


Não seria muito legal acertar uma dessas com o capacete.

Patagônia, terra do Titanossauro, o maior já encontrado, e seus "pequenos" amigos:


A maioria achada aqui na província de Chubut. Finalizamos a visita com o documentário mostrando todas as fases, desde a descoberta até a exposição no museu. Uma volta no tempo, onde um rolé pela Patagônia seria mortal:


"Dá o pé, Loro!"

Aproveitamos que já estávamos parados, percorremos a rua principal de Trelew na hora da siesta procurando um restaurante. Cidade deserta, portas fechadas e feno rolando, o máximo que conseguimos foi um fast-food com as luzes apagadas, onde a atendente fez de tudo para levar nosso dinheiro, uma prática muito comum por aqui. Ninguém quer aceitar cartão, todos querem plata para poder sonegar os impostos ao governo. Altos impostos, inflação, sonegação, preocupação com segurança...

Ainda digerindo o hambúrguer, os problemas econômicos e as histórias, voltamos a percorrer as planícies patagônicas imaginando a floresta pré-histórica que ali existia. Milhões de anos depois, aquele material orgânico forma o petróleo que se refina em gasolina para nossas motos. 

Ainda vivemos na energia do passado, com um poucos de esperança no futuro:


A pergunta que não cala por toda a viagem: "Porque o governo Argentino não aproveita a energia do vento Patagônico?" Depois de muitos quilômetros, encontramos os primeiros e últimos geradores de energia eólica. Falta de investimento, de planejamento. 

No 23º dia de viagem, falando mal do Governo alheio só significa uma coisa: hora de voltar pra casa!

Paramos em Puerto Madryn, o paraíso natural das baleias e leões marinhos. Mas... Esquecemos as câmeras no hotel. Já deu o que tinha que dar...

Día 22: Rio Gallegos - Comodoro Rivadávia

postado em 9 de jan de 2015 10:58 por Road Garage   [ 2 de fev de 2015 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Saindo de Rio Gallegos negligenciamos o abastecimento, e, percebendo que a Ruta 3 é um grande deserto, desistimos de seguir adiante e voltamos voados. Pois além de precisar abastecer, esquecemos de trocar o óleo das motos, que já completaram 8kkm rodados. Encontramos uma ótima loja de óleos, a Lubricar. Além de óleos de carro, tinha os mais variados óleos para moto. Os amigos da Lubricar abriram sua garagem e mãos a obra:


Drenamos o óleo dos motores e colocamos um semi-sintético Mobil similar ao Motul 5100, que utilizamos nas motos. Fabricação Argentina. Aqui se faz, aqui se bebe:


Agradecemos aos amigos da Lubricar pelo ótimo atendimento e suporte prestado aos viajantes.

Já com óleo novo e abastecidos, voltamos a Ruta 3 e seus retões intermináveis:


A placa sugere vento lateral, e realmente venta bastante, mas na maior parte do tempo na direção que estamos indo. Como estamos subindo, o vento de calda acaba por nos ajudar a chegar em casa. A maioria dos que fazem esse percurso, faz descendo, e sofre bastante com o vento de frente e diagonal. Não foi o nosso caso, como suspeitava quando defini o sentido do percurso.

Pernada até Comandante Luis Piedrabuena, onde paramos para abastecer e apreciar o Rio Santa Cruz e suas águas de cor única:


Na verdade o rio é formado pelo lago Viedma e lago Argentino, que por sua vez são formados pelos glaciares Perito Moreno e Fitz Roy. Sendo assim, o rio só tem o trabalho de transportar a água do degelo do parque nacional Los Glaciares, desde os Andes, desaguando-a aqui no Atlântico. Se você acompanhou a viagem pela Ruta 40, se lembra de todos esses lugares.

Continuamos a viagem e conhecemos mais um lugar único, Gran Bajo San Julian:


Uma grande depressão de 107 metros abaixo do nível do mar, a mais baixa do continente sul Americano. Perto do Puerto San Julián, cidade que abriga uma réplica 1:1 da Nau Victoria de Fernão de Magalhães:


Simplesmente o primeiro barco a dar a volta completa no mundo, quando não havia nem sequer timão. A direção era dado por 11 homens que deslocavam à força o leme da Nau. Tudo isso explicado no passeio guiado pela embarcação-museu.

Abaixo do convés, levavam diversas velas reserva, comida, sal e outros produtos necessários para passar anos no mar:


Taí o doido, Magalhães, na cabine do comandante:


Morreu em combate no meio da viagem. Das cinco embarcações que partiram, só essa retornou:


Tem doido pra tudo, e nós voltamos para nossas barcas de 1600 cilindradas e continuamos a navegar a ruta 3, margeando o Atlântico, em terra firme claro:


Além do mar, máquinas extratoras no horizonte. Essa região é grande produtora de petróleo:


As cidades na Patagônia Atlântica tem sua economia baseada na indústria do petróleo, diferente da Patagônia Andina, que me pareceu viver do turismo. 

O fato é que esse lado é abandonado pelo estado, com infra precária e favelização ao redor das cidades. O trânsito mal educado e pessoas estressadas.

Paramos em Caleta Olivia. El Negro tentou assaltar mais um banco:


Dessa vez com sucesso. Embora as máquinas petrolíferas trabalhassem a todo vapor, só conseguimos sacar dinheiro na terceira agência. Nos pareceu que falta abastecimento de dinheiro nos bancos. Esses e outros motivos nos levaram a deixar a cidade e continuar viagem, mesmo com o por do sol:


Seguimos até Comodoro Rivadávia, onde chegamos a noite. Coloquei o GPS para trabalhar e achar um restaurante e hotel. Estamos ficando mal acostumado.

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