Dia 20: Cuzco - Iberia

postado em 12 de dez de 2013 02:43 por Road Garage   [ 19 de dez de 2013 07:06 atualizado‎(s)‎ ]
Saí de Cuzco naquela indecisão: "Por onde eu volto?" Sinceramente já tinha rodado muito pela Bolívia, e boa parte do caminho seria parecido. Agora estava perto do Acre, e poderia voltar logo para o Brasil e fazer todo o percurso em solo pátria mãe. A decisão foi feita quando ví essa placa:

(3S - Cusco - Peru)

Juliaca denovo não! Oh cidade do capeta, me fez escolher um caminho 1000km mais distante, mas pelo menos uma carretera nova. Essa estrada Interoceânica, também conhecida como estrada do Pacífico, foi inaugurada recentemente, e prometia boas condições do asfalto:

(30C - Cusco - Peru)

Tenho 6 dias para fazer um pouco mais de 5kkm, vamos ver se consigo. Comecei a subir a cordilheira dos Andes Peruana, estava a quase 3000m de altitude e fui até 4725m! Pelo menos era o que dizia essa placa congelada:

(Estrada do Pacífico - Carretera Interoceânica - PE30C - Cordilheira dos Andes - Abra Pirhuayani - Cusco - Peru)

Estava chovendo e um frio descomunal, se via gelo no acostamento e na área envolta. A placa com gelo, e o topo das montanhas nem preciso dizer. Devia estar próximo de zero grau, pois a luva de couro e a luva segunda pele não deram conta. Meus dedos estavam congelados e apelei pro motor do Harlão:

(30c - Cusco - Peru)

Mãos descongeladas, comecei a descer a cordilheira, um visual perfeito de curvas serpenteando entre as grandes montanhas cobertas de vegetação. Os Andes Peruano nem se compara com os outros visitados, como Chile, Argentina e Bolívia. O cenário é bem diferente:

(Estrada interoceânica - Cusco - Peru)

Quando  as montanhas diminuiram, já estava na região de Madre de Dios, floresta Amazônica Peruana. Vegetação para todos os lados, sol e chuva:

(Interoceanica sur - Madre de Dios - Peru)

Foi um chove-e-para a tarde inteira. Via-se claramente onde começava e terminava a chuva, assim como as nuvens:

(Estrada do Pacífico - Madre de Dios - Peru)

Até chegar em Puerto Maldonado, onde o tempo melhorou, e fez um calor absurdo. Deveria estar beirando os 40 graus. Provavelmente a maior variação térmica que enfrentei na estrada. Chegando em Puerto Maldonado, percebe-se o grande movimento de motos, de todos os tipos e cilindradas:

(Puerto Maldonado - Madre de Dios - Peru)

Me recomendaram muito cuidado nesse canto, pois muitas dessas motos nem tem documentação, ninguém sabe a origem (se é que me entendem). Paradas rápidas para abastecer, enrolei o cabo até o dia terminar. Quando a noite estava caindo, percebi que não chegaria na fronteira em Iñapari a tempo de fazer os trâmites. Essa cidade não tem nada, além de casas de câmbio e trâmites da aduana peruana. O jeito foi apelar para uma das diversas casas de beira da estrada:

(Rodovia interoceânica - Madre de Dios - Peru)

Quando cheguei em Iberia, entrei no quintal de uma delas. Logo veio o dono com uma lanterna. Conversei com ele, perguntei se poderia armar a barraca ali no seu quintal, que no dia seguinte bem cedo faria os trâmites na fronteira. O senhor foi bem solícito, comentou que não é a primeira vez que alguém acampa no seu quintal, que muitos gringos passam por aqui indo para a Amazônia e pedem esse favor. Mas que era a primeira vez que um Brasileiro ficava ali. O senhor peruano, com toda educação do mundo, me permitiu passar a noite no seu quintal:

(Iberia - Madre de Dios - Peru)

Foi uma das melhores noite de sono da viagem. Cansado, chuva caindo lá fora, som das corujas e outros animais da floresta amazônica, um clima agradável. Dormi muito bem.
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